Sérgio Moro define sigilo para planilha com políticos

sergio-moro

O juiz federal Sérgio Moro decidiu colocar em segredo de Justiça as planilhas com referências a possíveis transferências de 200 políticos, apreendidas em uma busca da Polícia Federal na casa de um dos executivos da Odebrecht. A medida foi tomada pelo juiz após a relação ter sido anexada no processo sobre as investigações da 23ª fase da Operação Lava Jato, conhecida como Acarajé, e divulgada pela imprensa.

Sérgio Moro preferiu pedir um parecer do Ministério Público Federal sobre a documentação. As planilhas têm nomes de  políticos da oposição e do governo. Nos documentos, não há juízo sobre a legalidade dos pagamentos.

O juiz afirmou que seria precipitado fazer alguma interpretação sobre os documentos apreendidos. “Prematura conclusão quanto à natureza desses pagamentos. Não se trata de apreensão no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht e o referido Grupo Odebrecht realizou, notoriamente, diversas doações eleitorais registradas nos últimos anos”, argumentou o juiz. “De todo modo, considerando o ocorrido, restabeleço sigilo neste feito e determino a intimação do MPF (Ministério Público Eleitoral) para se manifestar, com urgência, quanto à eventual remessa ao Egrégio Supremo Tribunal Federal”, decidiu Moro.

As anotações, conforme indica a Lava Jato, referem-se às campanhas eleitorais de 2012 (municipais) e 2014 (presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais).

Segundo a Lava Jato, não há nenhum indicativo de que os pagamentos sejam irregulares ou fruto de caixa 2 e tampouco a Polícia Federal teve tempo para analisar a vasta documentação.

Barbosa Silva Jr, presidente Odebrecht Infraestrutura, que teve o material apreendido,  é apontado pelos investigadores como o encarregado de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira, para tratar de doações eleitorais e repasses a políticos.

A planilha foi divulgada oficialmente pela operação na manhã de ontem. Mas, no início da tarde, o juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba, decretou sigilo sobre os documentos. Moro pediu ao Ministério Público que se manifeste sobre “eventual remessa” dos papéis ao Supremo Tribunal Federal.

Os partidos que constam na planilha são: PT, PMDB, PSDB, PP, PSB, DEM, PDT, PSD, PC do B, PPS, PV, PR, PRB, SD, PSC, PTB, PTN, PT do B, PSOL, PPL, PTB e PRP, PMN e PTC.

Entre os nomes estão o dos ministros Aloizio Mercadante (Educação), Jaques Wagner (Gabinete), Aldo Rebelo (Defesa) e Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento), dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Aécio Neves (PSDB-MG), José Serra (PSDB-SP), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Romero Jucá (PMDB-RR). Entre os deputados está o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)  Há também citações aos governadores Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), Beto Richa (PSDB-PR) e Paulo Câmara (PSB-PE).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s