Brasil, um país construído com dignidade

Bandeira-Brasil

Não existe momento mais dolorido para falar do Brasil. Rever algumas interpretações deste país sui generis. É impressionante como tantas velhas reflexões permanecem atuais. O país do século passado ainda é perfeitamente válido para muitos aspectos da nossa realidade, principalmente a política.

As reações impatrióticas e as paixões pessoais momentâneas de nossos homens públicos prevalecem à legislação e à jurisdição. Os homens públicos não emitem opiniões  construtivas (com raríssimas exceções), continuam no sentido de desatinar o brasileiro da mais íntegra conduta. Os decretos pessoais vêm antes das necessidades comuns e não se refreiam as pretensões particulares. Parece sempre a nós, comuns do povo, que os governos nasceram para satisfazer as necessidades e as paixões particulares. Só raras vezes a coisa pública representa a força ativa do dever e seu cumprimento.

Ao pensador atual impende que a gênese da falta de integridade entre aqueles que se investiram, ou ainda, que nós investimos de poderes de representação esbarra na mentalidade cultural desta nação. Como construir um projeto coletivo de um povo, se inexiste uma tentativa de conjunção das chamadas forças vivas em torno de pontos mínimos de interesse comunitário? De que adiantaram tantos movimentos coletivos se o atingimento do verdadeiro objetivo se esgarça cada vez mais?

A perguntar-se sobre a razão dessa dificuldade, Sérgio Buarque de Holanda, um dos nossos maiores pensadores, sugere: “Em terra onde todos são barões não é possível acordo coletivo durável, a não ser por uma força exterior respeitável e temida”. Ainda a se clarificar que ele se refere em sua contribuição intelectual “Raízes do Brasil”, a um Brasil colonial e depois monárquico, essa reflexão não cabe no Brasil contemporâneo, ou talvez não devesse caber. Mas alguns “barões” atuais teimam em manter os seus privilégios, mesmo em detrimento das instituições e da segurança nacional.

Ora, o Brasil de hoje vive um novo momento de crise. Aliás, o país virou terra de ninguém, onde todos se sentem com direito de fazer e desfazer. Aí está o noticiário a nos mostrar cotidianamente o contexto à beira do caos, do abismo social, político e jurídico. Pode-se afirmar com segurança que alguns segmentos não se deixarão levar pela tentação de se encolher diante da continuidade da autocracia, ou da cleptocracia, como se referiu um ministro, como forma de ver “seus direitos preservados”. E o País como fica?

Você que está lendo esta crônica já se decidiu para onde deve seguir nosso Brasil? É agora ou nunca. Não há espaço para omissão. Ou como alguns, que se dizem cultos e anulam suas consciências. O civismo dos homens públicos que deviam proteger o direito do povo passou longe. Se o Brasil continuar dormindo em berço esplêndido, enquanto a economia e a política se esvaem para os rios poluídos, nosso País irá apodrecer na mesma toada.

Esta é uma reflexão muito séria, que deveria estar sendo feita neste momento pela sociedade brasileira. Esta geração precisa deixar um legado de honra para as gerações seguintes. Somente agindo com as nossas consciências de seres humanos íntegros, justos e probos, conseguiremos dar o exemplo aos nossos filhos e netos para a formação de um Brasil digno, cívico e patriota.

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