Wall Street Journal e Financial Times publicaram entrevistas com Temer, enquanto Dilma vai aos EUA

 

Os jornais estrangeiros se tornaram o novo palco do embate entre a presidente, Dilma Rousseff, e o vice, Michel Temer.  Depois de a petista denunciar o “golpe de Estado em curso” no Brasil a estrangeiros, o vice-presidente usou entrevistas a veículos internacionais, como o Wall Street Journal e o Financial Times, para defender a constitucionalidade do processo de impeachment. A viagem de Dilma aos Estados Unidos se transformou no pano de fundo para reforçar o argumento de que a democracia nacional está em perigo em discurso nas Nações Unidas. Enquanto isso, o já presidente interino se defende das acusações enquanto articula uma possível equipe ministerial.

“Não há golpe, de maneira alguma, ocorrendo aqui no Brasil”, afirmou Temer, em entrevista publicada pelo Financial Times. “Vários ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) disseram que o possível impeachment da presidente da República não representaria um golpe. É um processo constitucional”, acrescentou. Para o Wall Street Journal, o vice-presidente ressaltou ainda que “cada etapa do impeachment está em conformidade com a Constituição”, asseverou. “Como isso seria um golpe?”, questionou.

De acordo com Temer, Dilma deveria se defender no Senado, em vez de criar problemas para o Brasil ao fazer falsas declarações fora do País. Temer disse ao FT que não está participando do processo de impeachment e que tem defendido, nos últimos meses, uma unidade nacional para “tirar o País da crise”. “Não estou fazendo nenhum esforço, nenhuma ação, mas estou ofendido pelas palavras dela”, disse à publicação.

O processo de impeachment de Dilma tem ganhado espaço nas publicações internacionais, seja em editoriais ou reportagens. Nesta quinta-feira, a capa da nova edição da revista The Economist voltou a estampar a imagem do Cristo Redentor. Depois de simbolizar a decolagem e, mais recentemente, a derrocada do Brasil, a estátua agora aparece pedindo socorro. Em editorial, a revista diz que a presidente Dilma Rousseff tem responsabilidade sobre o fracasso econômico, mas que os que trabalham para tirá-la do cargo “são, em muitos aspectos, piores” e cita Eduardo Cunha como exemplo. “No curto prazo, o impeachment não vai resolver isso”. Por isso, a revista defende novas eleições gerais.

Depois da ofensiva do PT para classificar o processo como golpe, Temer se reuniu com a cúpula do PMDB em São Paulo. Na quarta-feira, 20, o agora presidente exercício se encontrou com o ex-ministros Moreira Franco, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Eliseu Padilha (PMDB-RS), além do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o economista Delfim Netto.

Temer confirmou já estar em conversas com pessoas que podem vir a participar do governo no caso da confirmação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ao Wall Street Journal, ele declarou que tem nomes “na cabeça”, mas que os revelaria apenas no momento adequado.

O advogado José Yunes, conselheiro e amigo do peemedebista há mais 40 anos, contou nesta quarta que será assessor especial da Presidência caso o processo de impeachment passe pelo Senado e o vice presidente assuma o mandato. Yunes também esteve com Temer na quarta-feira.

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